Me explica, por favor

Depois de agosto.


Tarde demais. (Demais?)
Primavera, jade, anunciação, oriente, soneto, fuga, espelho, valsa, finais: porque nunca era cedo demais e nunca tarde. Era recém no início da não-morte dos dois.
Enquanto ao bolero, esse final pode não ser o meu, Caio. Acho que você não escreveu nada igual (igual ao que eu não sei). Pelo menos eu acredito. Eu ainda não o escrevi. E parece que não vai ser agora que vou fazê-lo.

Eu te pedi ajuda, o incrível é que eu sinto que você falou comigo, de alguma forma. Não vi como uma resposta, cara. Só sei que de uma maneira você falou. Falou sim, eu senti. Inexplicável.
É, para eu escrever um final, sinto que preciso de um tempo antes, pra pensar nele. Sabe? Mas... Essa coisa de pensar, Caio... Sei lá, as vezes me aflinge. Parece que tudo fica mais complicado e eu caio em um abismo meu, só meu. Ninguém entende. Eu disse: ninguém. Essa é a verdade. Mas eu não os culpo, também não quero me culpar. Eu cheguei a conclusão que não são as pessoas que complicam as coisas e não são só as coisas que são complicadas.
Nós somos complexos, não falo só na questão dessa ciência toda que existe, no estudo do nosso corpo, cromossosmos, ribossomos, não-sei-que-somos. Falo dessa grandiosa caixa preta, dessa nossa mente, do nosso comportamento... Somos um universo. Um infinito, e sim, não querendo soar clichê e fazendo jus a música da minha ídola, um infinito realmente particular. Sim, por isso que tudo é tão complicado. E tem que ser assim mesmo. Eu não sei porque tem, só sei que é. Essa é a magia dos problemas e, depois, das soluções. Você entende, cara? Ah, sim.. A magia mesmo é a incompreensão. Eu compreendo. Obrigada? Sei lá.


Antes das seis.

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