Não é difícil entender

"Andei novamente com os pés descalços, eu a segurava dentro do meu bolso. De tempo em tempo, a jogava pra cima para que ela não se sentisse sufocada lá dentro. Joguei-a pra cima várias vezes. Quando ela estava no ponto mais alto, ficava com uma pontada de ciúmes do sol, achando que ele poderia estar mais perto dela do que eu, mas ela voltava pras minhas mãos novamente.
Sentei ali mesmo, de frente pro mar. O sol agora está se pondo, vai surgir em um outro dia qualquer, pode ser que apareça bem rápido, pode ser que fique encoberto pelas nuvens por um bom tempo, sentirei frio. Sentiremos frio.
Lentamente, a coloco no mar, deixando as águas a levarem. Não, ela não vai navegar sem rumo, ela sabe o caminho de volta. Só precisa de um tempo...
Não tenho a menor dúvida que minha pedrinha vai retornar e repousará em minhas mãos. Ela será muito bem vinda em qualquer mão, receberá muito carinho em qualquer uma delas. Uma é muito difícil de ser alcançada e é um trabalho muito árduo se manter nela. É um caminho bastante complicado, mas não quer dizer que seja incorreto...é apenas complicado. A outra mão é fácil demais de se chegar, sempre foi quente e acolhedora e sempre será.
Minha pedrinha pode juntar minhas duas mãos ao seu redor e, se tiver certeza que quer ficar ali, vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para acomoda-la da melhor forma possível, o tempo que for possível, e ela estará bem. Ela pode escolher ficar só em uma... tá certo, ela também estará bem.
Navegue, minha querida, quanto tempo precisar...
Minhas mãos estão abertas, sempre estiveram, sempre estarão."

Teu texto, minhas presentes palavras.

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